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Fundatec concurso: como a banca cobra e como treinar para o estilo dela
Por Redação Aprovado de Primeira · Brasil · Leitura de 11 minutos

Neste artigo
- A fundação de Porto Alegre e o raio de alcance dos editais dela
- Sete linhas do edital que decidem o treino antes da primeira página de teoria
- Uma tarde, três cadernos e a tabela de incidência que nasce deles
- Literal ou aplicado: a classificação que muda o material que você abre
- O relógio da prova, o enunciado longo e o custo do palpite
- Trocar de banca troca a técnica de resolução, não a matéria
- Do mapa ao ciclo: a ordem de estudo sai do seu próprio dado
- Recuperar de memória vence reler, e a pesquisa mediu a diferença
- O resumo de terceiro e o material genérico: o erro que custa meses
- A parte da regra que nenhum edital muda
- Perguntas frequentes
Quem pesquisa fundatec concurso quer duas respostas práticas: como a banca monta a prova e como treinar para o formato dela. Nenhuma das duas sai de fórum: sai do edital vigente e dos cadernos que a própria banca publicou depois de aplicar as provas anteriores.
Perfil de banca é retrato montado com evidência, e todo retrato precisa passar por um teste: abrir três provas recentes e conferir se o padrão descrito aparece nelas. O que não sobrevive ao teste é impressão de terceiro.
A montagem leva uma tarde, usa material público e devolve uma lista ordenada de tópicos que orienta os meses seguintes.
A fundação de Porto Alegre e o raio de alcance dos editais dela
A Fundatec é uma fundação sediada em Porto Alegre que organiza concursos públicos e processos seletivos. A presença dela é forte em órgãos estaduais, autarquias e prefeituras do Rio Grande do Sul, e aparece também em certames de outros estados.
O vínculo importa para quem estuda: a banca não é dona do concurso. O formato da prova é o que o edital daquele órgão publicar. Duas seleções da mesma fundação em anos diferentes podem trazer número de questões, peso de disciplina e regra de eliminação diferentes.
O site oficial, fundatec.org.br, lista os concursos em andamento e os encerrados, e a página de cada certame costuma reunir edital, retificações, cronograma, gabaritos e o caderno aplicado.
Cebraspe, FGV, FCC, Vunesp, Fundatec e IBFC dividem boa parte dos certames de maior porte no país. Treinar pela banca do seu edital muda mais o rendimento que trocar de apostila.
Sete linhas do edital que decidem o treino antes da primeira página de teoria
O edital descreve o formato exato da prova que você vai enfrentar, e vale mais que qualquer descrição genérica de banca. Sete informações resolvem quase todo o planejamento.
- Número de questões por disciplina e peso de cada bloco na nota final, que define onde a hora de estudo rende mais ponto.
- Quantidade de alternativas por questão, que muda a probabilidade do palpite e a técnica de eliminação.
- Existência ou não de penalidade por resposta errada, ponto que decide se deixar questão em branco é opção racional.
- Nota mínima por bloco ou por disciplina, critério que elimina candidato com média alta e um buraco em uma matéria só.
- Tempo total dividido pelo número de questões, que fixa o ritmo do treino em minutos por questão.
- Bibliografia indicada no anexo, quando existe, porque ela fixa a fonte que a banca considera correta.
- Prazo e forma do recurso contra o gabarito preliminar, quase sempre com janela curta e formulário próprio.
Transcreva as sete para uma página única antes de abrir o primeiro livro. Quem estuda pelo formato do edital passado treina para uma prova que não existe mais.
Uma tarde, três cadernos e a tabela de incidência que nasce deles
A fonte primária de estilo é o caderno aplicado, com o gabarito oficial ao lado. O site da banca guarda os arquivos na área do concurso encerrado, e o órgão contratante costuma manter cópia dos mesmos documentos.
Escolha três provas recentes do mesmo cargo ou de cargo com conteúdo programático parecido. Prova de outro nível de escolaridade serve como treino de leitura, não como retrato do que você vai enfrentar.
- Monte uma tabela com uma linha por tópico do conteúdo programático, na ordem do anexo do edital.
- Percorra as três provas questão por questão e marque em qual linha cada uma se encaixa.
- Some a incidência por tópico e ordene do mais cobrado para o menos cobrado.
- Anote o comprimento médio do enunciado por disciplina, porque enunciado longo cobra leitura sob relógio.
- Separe os tópicos ausentes nas três provas: continuam no programa e podem cair, mas entram no fim da fila.
A contagem é sua e a fonte é pública: o resultado descreve aquela banca naquele órgão, não a banca em abstrato.
Literal ou aplicado: a classificação que muda o material que você abre
A segunda coluna da tabela é a que muda o estudo. Em cada questão resolvida, marque se a resposta saía do texto literal do dispositivo ou se exigia interpretação e aplicação a um caso concreto.
A distinção decide o material. Tópico cobrado na literalidade pede a lei seca aberta ao lado, com atenção a prazo, exceção, quem pode e quem deve. Tópico cobrado por aplicação pede caso concreto, jurisprudência resumida e questão comentada.
Assinale ainda as questões cuja alternativa correta dependia de uma única palavra trocada, do tipo que inverte quantificador, prazo ou competência. A frequência dessa construção diz quanta minúcia a prova cobra, e minúcia se treina com questão, nunca com teoria.
Ao fim, a tabela responde três perguntas de uma vez: o que mais cai, como cai e com que material se estuda cada linha.
O relógio da prova, o enunciado longo e o custo do palpite
Divida o tempo total de prova pelo número de questões antes do primeiro simulado. O quociente é o seu orçamento médio por questão.
Enunciado longo consome o orçamento de forma desigual. Uma questão de raciocínio lógico ou de caso concreto pode custar o triplo de uma questão de memória, então o treino precisa incluir a decisão de abandono: marcar a alternativa mais provável e seguir adiante.
A regra de penalidade decide o resto. Onde não existe desconto por erro, questão em branco vale o mesmo que questão errada. Onde o edital prevê desconto, o palpite passa a ter custo, e só vale marcar depois de eliminar alternativas.
Nenhum desses parâmetros se supõe pela reputação da banca: todos estão escritos no edital do seu certame.
Trocar de banca troca a técnica de resolução, não a matéria
O núcleo comum de matérias resiste à troca de banca. Português, raciocínio lógico, informática, direito constitucional e direito administrativo aparecem em quase todo edital da área administrativa. O que muda é o modo de perguntar.
O formato mais associado ao Cebraspe é o item de julgamento certo ou errado, em que resposta errada pode anular acerto, conforme a regra publicada em cada edital. A consequência aparece no treino: o candidato pratica a decisão de deixar item em branco, que não existe em múltipla escolha sem desconto.
Prova com caso concreto cobra leitura sob relógio e eliminação de alternativa. Prova de cobrança literal cobra o dispositivo na memória, com prazo e exceção. Um mesmo tópico pode ser confortável num formato e áspero no outro.
Daí a regra que mais economiza tempo: o conteúdo se estuda com qualquer fonte confiável, e a fase final de treino usa questões da banca do seu edital.
Do mapa ao ciclo: a ordem de estudo sai do seu próprio dado
Com a tabela pronta, a ordem de estudo deixa de seguir o sumário do livro e passa a seguir o cruzamento entre incidência alta e desempenho baixo.
- Marque cada tópico com duas notas: quanto ele caiu nas três provas e quanto você acerta hoje com o material fechado.
- Comece pelo grupo de incidência alta e acerto baixo, onde cada hora devolve mais ponto.
- Monte um ciclo por matéria em vez de grade fixa por dia da semana. As matérias entram numa fila com tempo proporcional ao peso no edital, e quando um dia falha a fila continua de onde parou.
- Feche cada tópico com questões da própria banca, material fechado. Erro anotado com o motivo vale mais que percentual de acerto.
- Programe a revisão em intervalos crescentes, por exemplo 1 dia, 1 semana e 1 mês, e encurte o intervalo do que voltar difícil.
O ciclo sobrevive à semana quebrada: quem perde a terça não perde a matéria da terça.
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Recuperar de memória vence reler, e a pesquisa mediu a diferença
A revisão de John Dunlosky e colegas, publicada em 2013 na Psychological Science in the Public Interest, classificou dez técnicas de estudo por eficácia. Reler o material e grifar texto ficaram no grupo de baixa utilidade. No topo ficaram teste prático, o ato de responder de memória, e prática distribuída, o estudo espaçado ao longo do tempo.
O experimento de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, publicado em 2006 na Psychological Science, mostra o tamanho da diferença. Estudantes que releram um texto foram melhor num teste aplicado logo em seguida. Uma semana adiante, o grupo testado em vez de reler lembrava significativamente mais. O ganho da releitura é de curto prazo, e a prova do seu certame acontece meses à frente.
Hermann Ebbinghaus descreveu em 1885 a curva do esquecimento: a memória de material novo cai rápido nos primeiros dias e depois desacelera. Cada revisão no intervalo certo interrompe a queda e deixa a curva mais plana que a anterior.
O simulado completo fecha o circuito. Marque uma prova inteira por mês, no horário e no tempo do edital, com caderno da própria banca. Ele mede resistência, ritmo e decisão de abandono, e devolve uma tabela de erros que realimenta o ciclo.
O resumo de terceiro e o material genérico: o erro que custa meses
O erro mais caro de quem se prepara para um certame da Fundatec é estudar por material genérico de concurso e por resumo de outra pessoa, e chegar à prova sem nunca ter resolvido uma questão daquela banca.
O material genérico cobre o conteúdo médio de vários editais e desconhece o peso das disciplinas do seu. Ele também não reproduz a construção do enunciado, que é onde a prova separa quem estudou de quem estudou no formato certo. O resumo de terceiro carrega um recorte feito com outro cargo em mente.
Três correções resolvem:
- O conteúdo programático do edital vigente é a lista fechada do que merece tempo agora.
- A tabela de incidência das três provas define a ordem dentro da lista.
- A fase final de treino usa questões da banca, no formato e no tempo do edital.
Refaça a tabela quando sair edital novo: programa alterado invalida a ordem antiga.
A parte da regra que nenhum edital muda
Abaixo do estilo de cada banca existe uma camada que não se negocia por contrato.
O artigo 37 da Constituição de 1988 exige aprovação prévia em concurso para a investidura em cargo efetivo e fixa validade de até 2 anos, prorrogável uma única vez por igual período.
A Súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça firma que o diploma ou a habilitação legal é exigido na posse, não na inscrição. A Súmula Vinculante 44 do Supremo Tribunal Federal limita o exame psicotécnico às hipóteses previstas em lei.
Na esfera federal, a Lei 8.112, de 1990, rege posse, exercício e estágio probatório, e o artigo 41 da Constituição fixa 3 anos de efetivo exercício até a estabilidade. Certame estadual ou municipal segue o estatuto do respectivo ente.
Cadastro de reserva também é figura comum a qualquer banca: aprovados além das vagas imediatas, convocados por ordem de classificação dentro do prazo de validade, sem garantia de nomeação.
Perguntas frequentes
As provas da Fundatec são difíceis?
Dificuldade depende do cargo, do nível de escolaridade e da concorrência daquele certame, não da banca isolada.
A medida útil é pessoal: resolva três provas anteriores no tempo do edital e compare o seu percentual de acerto com o de provas de outras bancas para cargo equivalente.
Onde baixar provas anteriores e gabaritos da banca?
Comece pelo site oficial, fundatec.org.br, na área do concurso encerrado, onde ficam caderno de questões, gabarito preliminar e gabarito definitivo.
Confira a que cargo e a que ano cada prova pertence antes de usá-la como treino.
Quantas provas preciso analisar para montar o mapa de incidência?
Três provas recentes do mesmo cargo já mostram o padrão de incidência e o tipo de cobrança. Com menos de três, repetição se confunde com coincidência.
Cadernos adicionais ajudam quando existem, desde que do mesmo cargo e de edital com programa parecido.
Estudar por questões de uma banca serve para concursos de outra?
Serve para o conteúdo, porque o núcleo comum de matérias se repete entre editais. O treino de formato é específico: número de alternativas, estilo de enunciado e regra de penalidade mudam a técnica de resolução.
Estude o conteúdo com qualquer fonte confiável e reserve a fase final para questões da banca do seu edital.
Vale entrar com recurso contra o gabarito preliminar?
Vale quando existe fundamento objetivo: dispositivo legal, súmula, doutrina indicada na bibliografia do edital ou contradição interna no enunciado. O prazo é curto e definido no próprio edital.
Recurso apoiado apenas em opinião sobre a dificuldade da questão não altera gabarito.
O edital anterior serve para estudar enquanto o novo não sai?
Serve como aproximação do conteúdo programático, e é o que quase todo candidato usa na largada.
Publicado o edital novo, compare os dois anexos linha por linha: tópico incluído ou retirado reordena a fila de estudo.
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