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Concurso Caixa: como funciona a seleção do banco e o que estudar para passar
Por Redação Aprovado de Primeira · Brasil · Leitura de 11 minutos

Neste artigo
- Empresa pública com carteira assinada, e concurso mesmo assim
- Estabilidade, dispensa e aposentadoria: o que muda por ser empregado
- Linha do tempo: da Caixa Econômica da Corte ao banco do FGTS
- Da inscrição à convocação: onde a seleção corta
- Conhecimentos bancários: o Sistema Financeiro Nacional que cai na prova
- Matemática financeira: SAC, Price e o que a agência calcula todo dia
- Atendimento, venda e conduta: o consumidor e a prevenção à lavagem de dinheiro
- Releitura engana, recuperação de memória decide
- O ciclo de estudo que sobrevive ao expediente
- Três leituras erradas que custam meses de preparação
- Perguntas frequentes
A Caixa Econômica Federal é uma empresa pública, e a natureza jurídica define o vínculo de quem passa no concurso. A contratação ocorre pela CLT, no formato de emprego público, e não como cargo efetivo estatutário.
A exigência de concurso continua valendo. A Constituição de 1988, no artigo 37, inciso II, condiciona a investidura em cargo ou emprego público à aprovação prévia em concurso de provas ou de provas e títulos. O texto trata cargo e emprego lado a lado, e a administração indireta entra na regra.
O banco ganhou o formato atual em 1969, pelo Decreto-Lei 759. Ele opera crédito habitacional, loterias federais e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, e a combinação de atribuições explica o programa dos editais.
Empresa pública com carteira assinada, e concurso mesmo assim
A Constituição, no artigo 173, parágrafo 1º, inciso II, submete a empresa pública ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto a direitos e obrigações trabalhistas. O contrato do aprovado segue a CLT, com carteira assinada, depósito de FGTS pelo empregador, férias e verbas rescisórias.
A convivência das duas regras confunde quem começa. O regime é privado dentro do contrato e público na porta de entrada: o inciso II do artigo 37 não abre exceção para estatal, então a seleção precisa ser aberta, impessoal e decidida por prova.
As reservas de vaga acompanham o emprego público. A Lei 12.990, de 2014, alcança expressamente as empresas públicas federais ao reservar 20% das vagas para candidatos negros, e o Decreto 9.508, de 2018, trata da reserva mínima de 5% para pessoas com deficiência na administração federal direta e indireta.
Estabilidade, dispensa e aposentadoria: o que muda por ser empregado
A estabilidade do artigo 41 da Constituição, adquirida após três anos de efetivo exercício, alcança o servidor nomeado para cargo efetivo. A Súmula 390 do Tribunal Superior do Trabalho fixa a leitura: o celetista da administração direta, autárquica ou fundacional é beneficiário da estabilidade, e o empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido por concurso, não é.
A dispensa segue o mesmo eixo. O Supremo Tribunal Federal discutiu o dever de motivar a demissão de empregado de estatal no Recurso Extraordinário 589.998 e, ao julgar os embargos de declaração em 2018, restringiu a tese aos Correios.
O artigo 40 da Constituição reserva o regime próprio de previdência aos titulares de cargo efetivo, e o parágrafo 13 manda aplicar o Regime Geral de Previdência Social a quem ocupa emprego público. Quem entra na Caixa contribui para o INSS, com previdência complementar administrada pela Funcef.
Jornada, promoção e reajuste saem de norma interna e de acordo coletivo, e não de lei de carreira. A Lei 8.112, de 1990, que rege o servidor estatutário federal, não ocupa o centro do material de quem mira o banco.
Linha do tempo: da Caixa Econômica da Corte ao banco do FGTS
- 1861O Decreto 2.723 cria a Caixa Econômica e Monte de Socorro da Corte, no Rio de Janeiro.
- 1964A Lei 4.380 institui o Sistema Financeiro da Habitação e cria o Banco Nacional da Habitação.
- 1966A Lei 5.107 cria o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
- 1969O Decreto-Lei 759 autoriza a constituição da Caixa Econômica Federal como empresa pública, e as caixas econômicas federais são unificadas.
- 1986O Decreto-Lei 2.291 extingue o Banco Nacional da Habitação, e a Caixa assume o crédito habitacional.
- 1988A Constituição estende a exigência de concurso aos empregos da administração indireta, no artigo 37.
- 1990A Lei 8.036 reorganiza o FGTS e define a Caixa como agente operador do fundo.
- 2024O banco publica edital para o cargo de técnico bancário novo, com a Cesgranrio como banca organizadora.
A sequência explica o programa da prova. Uma instituição que administra fundo, habitação e loteria cobra o vocabulário do sistema financeiro, e não apenas noções gerais de administração pública.
Da inscrição à convocação: onde a seleção corta
O edital comanda o certame inteiro: requisitos, vagas por região, conteúdo programático, pesos, critérios de desempate e calendário. O que não está no documento não vale, e o que está nele vale mesmo quando contraria o costume dos certames anteriores.
A organizadora pode mudar de um edital para outro. No certame de 2024 para o cargo de técnico bancário novo, a banca foi a Cesgranrio, e só o documento vigente confirma quem aplica a prova seguinte.
O roteiro costuma seguir estas etapas:
- Publicação do edital, com o conteúdo programático e os requisitos
- Inscrição em prazo curto, com taxa e janela de pedido de isenção
- Prova objetiva de múltipla escolha, aplicada em data única
- Etapas complementares, como prova discursiva e comprovação de requisitos
- Resultado final e homologação, que fecha a lista oficial de aprovados
- Convocação e admissão dentro do prazo de validade da seleção
Cada etapa é eliminatória, classificatória ou as duas ao mesmo tempo: a eliminatória corta quem fica abaixo do mínimo escrito no edital, e a classificatória apenas ordena a lista. A validade e a prorrogação por igual período seguem o artigo 37, incisos III e IV, da Constituição.
Sobre escolaridade, a Súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça resolve a dúvida mais frequente: o diploma é exigido na posse, não na inscrição.
Conhecimentos bancários: o Sistema Financeiro Nacional que cai na prova
O bloco de conhecimentos bancários costuma ser o divisor de águas. Ele começa pela arquitetura do Sistema Financeiro Nacional: o Conselho Monetário Nacional no topo normativo, o Banco Central na supervisão das instituições financeiras, a Comissão de Valores Mobiliários no mercado de capitais, a Susep nos seguros e a Previc na previdência complementar fechada.
Abaixo da camada normativa ficam os operadores, dos bancos comerciais e múltiplos às cooperativas de crédito. Saber quem normatiza, quem supervisiona e quem opera resolve boa parte das questões de definição. Depois vem a prateleira de produtos, com conta corrente, poupança, CDB, letras de crédito imobiliário e do agronegócio, consórcio regido pela Lei 11.795, de 2008, cartões e seguros.
A remuneração da poupança tem regra escrita em lei. A Lei 12.703, de 2012, fixou o desenho vigente: quando a taxa Selic está em 8,5% ao ano ou abaixo, o rendimento é 70% da Selic mais a TR; acima desse patamar, volta a 0,5% ao mês mais a TR.
O Pix foi instituído pelo Banco Central com a Resolução BCB número 1, de 2020, e o Open Finance começou pela Resolução Conjunta número 1, do mesmo ano.
Matemática financeira: SAC, Price e o que a agência calcula todo dia
A prova cobra matemática financeira porque o balcão cobra. Juros simples e compostos, taxa nominal, efetiva e equivalente, desconto simples, séries uniformes de pagamento e sistemas de amortização formam o núcleo.
No Sistema de Amortização Constante, a parcela de amortização é fixa e a prestação cai ao longo do contrato. Na Tabela Price, a prestação é constante e a divisão interna entre juros e amortização se inverte com o tempo. Um banco que financia habitação usa os dois, e a distinção aparece em questão de cálculo e em questão de conceito.
O custo do crédito tem norma própria. A Resolução 3.517, de 2007, do Conselho Monetário Nacional, obriga a informar o Custo Efetivo Total das operações contratadas por pessoa física, reunindo juros, tarifas, tributos e demais despesas em uma taxa única.
O FGTS entra pela aritmética também. A Lei 8.036, de 1990, fixa o depósito mensal de 8% sobre a remuneração e trata do acréscimo de 40% sobre o saldo devido na dispensa sem justa causa.
Atendimento, venda e conduta: o consumidor e a prevenção à lavagem de dinheiro
Vendas e negociação aparecem no programa porque o trabalho na agência é comercial. O empregado abre conta, oferece crédito, seguro e consórcio, e responde por metas de produto dentro de regras públicas de conduta.
A primeira regra vem do direito do consumidor. A Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça firmou que o Código de Defesa do Consumidor, a Lei 8.078, de 1990, se aplica às instituições financeiras. O artigo 39, inciso I, do mesmo código proíbe condicionar o fornecimento de um produto à aquisição de outro, a chamada venda casada.
A Resolução 4.949, de 2021, do Conselho Monetário Nacional, fixa princípios de ética, responsabilidade, transparência e diligência no atendimento a clientes e usuários de produtos financeiros.
O bloco de conduta fecha com normas frequentes em edital de banco: a Lei 9.613, de 1998, sobre lavagem de dinheiro e comunicação de operações; a Circular 3.978, de 2020, do Banco Central, que detalha a política de prevenção; a Lei 13.709, de 2018, sobre dado pessoal; e a Lei Complementar 105, de 2001, sobre sigilo.
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Releitura engana, recuperação de memória decide
Matemática financeira e conhecimentos bancários premiam quem resolve questões e punem quem relê apostila. A revisão de John Dunlosky e colegas, publicada em 2013 na Psychological Science in the Public Interest, comparou dez técnicas de estudo. Teste prático e prática distribuída ficaram no grupo de alta utilidade, e reler o material e grifar texto ficaram no de baixa utilidade.
O experimento de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, publicado em 2006 na Psychological Science, mostrou o mecanismo. Quem releu um texto foi melhor num teste imediato, e uma semana depois o grupo que havia sido testado em vez de reler lembrava bem mais.
Karpicke e Janell Blunt levaram a comparação adiante em estudo publicado na Science em 2011: praticar recuperação produziu mais aprendizagem que estudo elaborativo com mapa conceitual, mesmo quando os participantes previam o contrário.
A armadilha é a sensação. Texto grifado fica familiar, e familiaridade se parece com domínio até a hora de responder sem consultar a fonte.
O ciclo de estudo que sobrevive ao expediente
Hermann Ebbinghaus descreveu em 1885 a curva do esquecimento: a memória de material novo decai rápido nos primeiros dias e depois desacelera. Cada revisão feita no intervalo certo interrompe a queda e deixa a curva mais plana que a anterior.
Daí sai o formato do plano. Em vez de grade fixa por dia da semana, que quebra na primeira semana de trabalho puxado, uma fila de matérias com tempo proporcional ao peso no edital continua de onde parou quando um dia falha.
- Leia o conteúdo programático inteiro do último edital antes de comprar material
- Distribua as matérias em um ciclo, com mais tempo para os blocos de maior peso
- Feche cada tópico respondendo questões da banca indicada no edital, com o material fechado
- Anote o motivo do erro, e não a estatística de acerto
- Reagende cada tópico em intervalos crescentes, por exemplo um dia, uma semana e um mês
- Faça um simulado completo por mês, no horário da prova e com o tempo do edital
O simulado treina ritmo e decisão de abandono de questão, que a lista de exercícios solta não treina.
Três leituras erradas que custam meses de preparação
A primeira trata a Lei 8.112 como núcleo do programa. Ela rege o servidor estatutário federal, e o vínculo do banco é celetista.
A segunda troca a norma pela notícia. Atualidades do mercado financeiro cobram mecanismo, como funciona o Pix ou o que muda no crédito imobiliário, e a base está na regra escrita, não no comentário do dia.
A terceira mira a nota mínima do edital. A nota mínima define quem é eliminado, e a pontuação do último aprovado só aparece depois da prova, porque depende da concorrência daquela edição. Estudar para o piso é estudar para o resultado mais frágil.
Sobre datas, uma advertência final. Nenhuma previsão de edital futuro é confiável antes da publicação oficial, então acompanhe o site da própria Caixa Econômica Federal.
Perguntas frequentes
Quem passa no concurso da Caixa vira servidor público estatutário?
Não. O vínculo é de emprego público sob a CLT, porque a Constituição, no artigo 173, parágrafo 1º, submete a empresa pública ao regime das empresas privadas. A exigência de concurso vem do artigo 37, inciso II, que cita cargo e emprego.
Empregado da Caixa adquire a estabilidade de três anos?
A Súmula 390 do Tribunal Superior do Trabalho responde: a estabilidade do artigo 41 alcança o celetista da administração direta, autárquica ou fundacional, e não alcança o empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista.
Quem trabalha na Caixa se aposenta pelo INSS?
Sim. O artigo 40 da Constituição reserva o regime próprio aos titulares de cargo efetivo, e o parágrafo 13 manda aplicar o Regime Geral a quem ocupa emprego público.
Qual a escolaridade exigida no concurso da Caixa?
O requisito consta do edital e varia por cargo, com certames de nível médio e outros de nível superior. A Súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça confirma a regra geral: o diploma é exigido na posse, não na inscrição.
O que mais cai na prova da Caixa?
Conhecimentos bancários costumam concentrar o maior peso, com matemática financeira e atualidades do mercado financeiro. Português, raciocínio lógico, informática, vendas e legislação de conduta completam o programa do edital.
Precisa de experiência em banco para prestar o concurso?
O edital lista os requisitos, e experiência prévia não costuma estar entre eles nos cargos de entrada.
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