Guia · Carreira policial
Concurso PF: como funciona, quais são os cargos e o que cada etapa cobra
Por Redação Aprovado de Primeira · Brasil · Leitura de 11 minutos

Neste artigo
- O que o artigo 144 põe nas mãos da Polícia Federal
- Cinco portas de entrada, e o requisito que separa cada uma
- Linha do tempo da carreira policial federal
- Da prova objetiva à Academia Nacional de Polícia
- O teste de aptidão física cobra treino iniciado no primeiro mês
- Psicotécnico e investigação social: o limite que a lei impõe
- Item certo e errado: onde o chute deixa de ser neutro
- Recuperar em vez de reler: o que a pesquisa mediu
- O ciclo por matéria aplicado a um edital policial
- Onde o candidato de PF costuma perder o semestre
- Perguntas frequentes
A Polícia Federal aparece no artigo 144 da Constituição de 1988 como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. O parágrafo 1º lista as atribuições, e a lista explica o tamanho do conteúdo programático que o concurso cobra.
Quem pesquisa o certame procura quase sempre a mesma resposta: por onde se entra. A carreira tem cinco portas, e a porta escolhida define o programa, o formato do treino e o tempo de preparação.
Vaga e calendário mudam a cada publicação. O que se repete é o desenho da seleção: prova de conhecimento, filtros de aptidão, checagem de vida pregressa e curso de formação.
O que o artigo 144 põe nas mãos da Polícia Federal
O parágrafo 1º do artigo 144 distribui quatro grupos de atribuição à instituição, e cada um reaparece depois como matéria de prova.
O inciso I manda apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União, das autarquias e das empresas públicas, além de infrações com repercussão interestadual ou internacional que exijam repressão uniforme. O inciso II trata de prevenir e reprimir o tráfico de drogas, o contrabando e o descaminho. O inciso III entrega as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras. O inciso IV reserva à Polícia Federal, e apenas a ela, as funções de polícia judiciária da União.
A consequência aparece no programa do edital. Quem apura crime federal cobra direito penal, processo penal e legislação penal especial com peso que certame administrativo não tem, e a atuação em fronteira acrescenta legislação aduaneira e de migração.
Cinco portas de entrada, e o requisito que separa cada uma
A Lei 9.266, de 1996, dispõe sobre a reorganização das carreiras policiais federais. O ingresso acontece em cinco cargos, e o requisito de formação separa dois grupos.
- Agente, Escrivão e Papiloscopista Policial Federal: editais anteriores exigiram curso superior em qualquer área.
- Perito Criminal Federal: editais anteriores exigiram diploma nas áreas técnicas listadas no próprio documento.
- Delegado de Polícia Federal: editais anteriores exigiram bacharelado em Direito e tempo mínimo de atividade jurídica ou policial.
A exigência do bacharelado tem base legal nomeada: o artigo 3º da Lei 12.830, de 2013, define o cargo de delegado de polícia como privativo de bacharel em Direito, e a mesma lei reserva a ele o ato de indiciamento, sempre fundamentado.
Para os demais cargos vale a regra geral do diploma, e a Súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça firmou que a formação é exigida na posse, não na inscrição, o que libera o estudante de último ano a se inscrever.
Acima de qualquer edital está o artigo 37 da Constituição: a investidura depende de aprovação prévia em concurso, e o certame vale até 2 anos, prorrogável uma vez. Sobre idade, a Súmula 683 do Supremo Tribunal Federal admite limite apenas quando a natureza das atribuições do cargo o justificar.
Linha do tempo da carreira policial federal
- 1965A Lei 4.878 fixa normas peculiares ao regime jurídico dos funcionários policiais civis da União e do Distrito Federal.
- 1988A Constituição define, no artigo 144, parágrafo 1º, as atribuições da Polícia Federal, entre elas a polícia judiciária da União.
- 1990A Lei 8.112 institui o regime jurídico dos servidores civis federais, com posse, exercício, estágio probatório e estabilidade.
- 1996A Lei 9.266 dispõe sobre a reorganização das carreiras policiais federais.
- 1998A Emenda Constitucional 19 reescreve o artigo 41 e leva para 3 anos o tempo de efetivo exercício exigido para a estabilidade.
- 2013A Lei 12.830 fixa, no artigo 3º, que o cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito.
- 2015O Supremo Tribunal Federal edita a Súmula Vinculante 44: só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação a cargo público.
Da prova objetiva à Academia Nacional de Polícia
O concurso encadeia etapas, e cada uma tem regra própria de aprovação escrita no edital.
- Prova objetiva, aplicada a todos os inscritos
- Prova discursiva, corrigida dentro do limite de classificação do edital
- Teste de aptidão física, com provas e índices mínimos publicados
- Avaliação médica, com a lista de exames fixada no edital
- Avaliação psicológica, por critérios técnicos divulgados
- Avaliação de títulos, quando o cargo prevê a etapa
- Sindicância da vida pregressa e investigação social
- Curso de formação profissional na Academia Nacional de Polícia, em Brasília
Etapa eliminatória corta quem fica abaixo do mínimo; etapa classificatória apenas ordena a lista. Títulos costumam ser só classificatórios e teste físico só eliminatório, e ler a classificação antes de montar o plano evita meses gastos em ponto que não sobe posição.
O curso de formação fecha a seleção, em Brasília, pelo período previsto no edital. Aprovado ali, ele segue para nomeação e posse sob o regime da Lei 8.112, de 1990: a posse ocorre em até 30 dias contados da publicação do ato de provimento e o exercício começa em até 15 dias contados da posse.
A estabilidade não vem junto. O artigo 41 da Constituição exige 3 anos de efetivo exercício, com avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
O teste de aptidão física cobra treino iniciado no primeiro mês
O teste de aptidão física costuma ser puramente eliminatório: quem alcança o índice segue, e o excedente não vira ponto. O repertório dos editais da carreira sai de uma lista curta, com barra fixa, abdominal, corrida de resistência, natação e impulsão horizontal entre as provas mais frequentes, e os índices mínimos por sexo e faixa etária publicados no próprio documento.
O detalhe que derruba candidato é de calendário. O intervalo entre o resultado da objetiva e a data do teste costuma ser de poucas semanas, prazo que serve para afinar técnica e não para construir resistência.
A leitura útil do edital anterior, portanto, inclui a tabela de índices, transformada em meta de treino desde o primeiro mês.
Psicotécnico e investigação social: o limite que a lei impõe
A avaliação psicológica não pode ser exigida por vontade da banca. A Súmula Vinculante 44 do Supremo Tribunal Federal é direta: só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação a cargo público. A jurisprudência dos tribunais superiores acrescenta duas condições ao edital, critérios objetivos de avaliação e possibilidade de recurso contra o resultado.
A investigação social checa a vida pregressa com documentos, certidões e informações prestadas pelo próprio candidato. No Recurso Extraordinário 560.900, tema 22 da repercussão geral, o Supremo firmou que inquérito ou ação penal em curso, sem condenação transitada em julgado, não basta por si só para eliminar, sob pena de ofensa à presunção de inocência.
A conduta que elimina com mais frequência é outra: informação falsa ou omitida no formulário.
Item certo e errado: onde o chute deixa de ser neutro
Boa parte dos certames da carreira foi organizada pelo Cebraspe, cuja marca é o item de julgamento certo ou errado. Conforme a regra publicada em cada edital, item errado pode anular item certo dentro do mesmo bloco.
A consequência muda o treino. Em múltipla escolha sem penalidade, deixar em branco vale o mesmo que errar, então o candidato responde tudo. No formato de julgamento com penalidade, cada item respondido sem base tem custo esperado negativo, e a decisão de deixar em branco vira habilidade treinável.
Treinar a decisão significa anotar o grau de certeza antes de conferir o gabarito, até conhecer a própria taxa de acerto na faixa de dúvida.
Item de cobrança literal exige o texto do dispositivo na memória, com prazo e exceção; item de caso concreto exige leitura sob relógio. Questões de outras bancas entram só como reforço de conteúdo.
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Recuperar em vez de reler: o que a pesquisa mediu
A pergunta padrão de quem começa é quantas horas por dia estudar. A ciência da aprendizagem sugere outra medida: quanto o candidato recupera depois, sem olhar a fonte.
A revisão de John Dunlosky e colegas, publicada em 2013 na Psychological Science in the Public Interest, classificou dez técnicas por eficácia. Releitura e grifo ficaram no grupo de baixa utilidade, e no topo ficaram teste prático, o ato de responder de memória, e prática distribuída, o estudo espalhado ao longo do tempo.
O experimento de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, publicado em 2006 na Psychological Science, mostrou o mecanismo: quem releu um texto foi melhor num teste imediato, e uma semana depois o grupo testado no lugar de reler lembrava bem mais.
Hermann Ebbinghaus descreveu em 1885 a curva do esquecimento: material novo decai rápido nos primeiros dias e depois desacelera, e a revisão no intervalo certo interrompe a queda. Robert Bjork chamou de dificuldades desejáveis as condições de treino que pioram o desempenho imediato e melhoram a retenção de longo prazo.
O ciclo por matéria aplicado a um edital policial
- Escolha o cargo antes do material. Delegado e perito partem de exigência de formação específica, os outros três aceitam qualquer curso superior.
- Baixe o último edital do cargo e leia a lista de disciplinas inteira antes de comprar qualquer curso. Comprar antes de ler o programa custa meses em tópico que a banca não cobra.
- Monte um ciclo por matéria, com tempo proporcional ao peso de cada disciplina, no lugar de grade fixa por dia da semana. Quando um dia falha, a fila continua de onde parou.
- Feche cada tópico respondendo itens da banca do edital, com o material fechado. Erro anotado com o motivo vale mais que percentual de acerto.
- Programe a revisão de cada tópico em intervalos crescentes, por exemplo 1 dia, 1 semana e 1 mês, ajustando pelo que voltar difícil.
- Treine o físico desde o primeiro mês, com a tabela de índices do edital anterior como meta.
- Simule a prova inteira uma vez por mês, no mesmo horário e com o tempo do edital. O simulado treina ritmo e decisão de abandono de item.
Onde o candidato de PF costuma perder o semestre
O erro de largada mais caro é estudar para a instituição em vez do cargo. Delegado, perito, escrivão, agente e papiloscopista dividem o mesmo brasão e não dividem o mesmo programa, e quem posterga a escolha reparte o próprio tempo entre conteúdos que não somam.
Os outros dois seguem o padrão. Um é preparar só a prova objetiva e tratar teste físico, avaliação psicológica e investigação social como formalidade, quando cada um é eliminatório por regra do edital. O outro é treinar em questões de banca diferente da que aplica o certame.
A correção é a mesma: o cargo manda no programa, o edital manda no calendário do preparo e a banca manda no formato do treino.
Perguntas frequentes
Quais cargos existem no concurso da Polícia Federal?
A Lei 9.266, de 1996, dispõe sobre a reorganização das carreiras policiais federais, e o ingresso acontece em cinco cargos: agente, escrivão, papiloscopista, perito criminal e delegado. A quantidade de vagas por cargo consta do edital de cada certame.
Precisa ser formado em Direito para prestar o concurso da PF?
Apenas para delegado, cargo definido como privativo de bacharel em Direito pelo artigo 3º da Lei 12.830, de 2013. Em editais anteriores, agente, escrivão e papiloscopista aceitaram curso superior em qualquer área, e perito exigiu formação nas áreas técnicas listadas no documento.
Onde é feito o curso de formação da Polícia Federal?
Na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. A etapa é eliminatória, com duração, frequência mínima e critérios de aprovação definidos no edital de cada certame.
O teste de aptidão física elimina ou pontua?
Nos editais da carreira ele costuma ser apenas eliminatório: alcançar o índice mínimo mantém o candidato na disputa, e superá-lo não gera ponto extra. As provas e os índices por sexo e faixa etária saem no edital.
Responder a um processo criminal elimina na investigação social?
Não de forma automática. No Recurso Extraordinário 560.900, tema 22 da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal firmou que inquérito ou ação penal em curso, sem condenação transitada em julgado, não basta por si só para eliminar candidato. Informação falsa no formulário segue outro caminho e costuma eliminar.
Dá para ser aprovado estudando por conta própria?
Não existe estatística oficial sobre autodidatas aprovados. O que a pesquisa sustenta é o método, não o canal: teste prático e prática distribuída lideraram a revisão de Dunlosky de 2013, enquanto releitura e grifo ficaram no fim da lista. Com material próprio ou com curso, o que decide é responder de memória e revisar em intervalo crescente.
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